Grãozinho
Primeiras Histórias

História de santo

Santa Teresinha do Menino Jesus

Ela nunca fez nada grande. Fez coisas pequenas com amor enorme.

5 minutos

A narração desta história está sendo gravada.

Enquanto isso, o texto completo está aqui embaixo para você ler em voz alta.

Virtude de hoje

Amor nas coisas pequenas

O caminho pequeno é um alívio para pais cansados. Ele diz que a santidade não está guardada para quem faz feitos enormes, e sim para quem lava a louça de novo, com amor, à meia-noite.

A criança que ouve isso aprende cedo que não precisa ser a melhor da turma para agradar a Deus. Precisa fazer bem o que está na frente dela.

Para conversar

Qual coisa pequena e chata você pode fazer amanhã com muito capricho, só para dar de presente a Deus?

Sem resposta certa. A ideia é ouvir o que seu filho pensa.

Oração

Jesus, eu sou pequeno e não sei fazer coisas grandes.
Me ajude a fazer as coisas pequenas com muito amor.
Levante a minha vida como quem levanta uma criança no colo.
Santa Teresinha, reze por mim.
Amém.

Ler o texto da história

No lavadouro do convento de Lisieux, na França, uma jovem freira lavava lenços numa bacia de água fria.

Bem na frente dela, outra irmã batia a roupa com força e, sem perceber, jogava água suja no rosto dela. De novo. E de novo.

A jovem teve vontade de fazer cara feia e sair dali. Em vez disso, ficou. Continuou lavando. E, por dentro, entregou aquele incômodo a Deus, sem contar para ninguém.

Ela se chamava Teresa. Era jovem e tinha entrado ali ainda menina. Hoje o mundo inteiro a chama de Teresinha, e ela ia gostar disso, porque ser pequena foi a coisa mais importante da vida dela.

Teresa nasceu na França, numa família grande e muito unida. Foi a caçula de nove filhos. Quatro morreram ainda pequenos, e a família rezava confiando que Deus tinha recebido cada um deles. Sobraram cinco meninas. O pai fazia relógios. A mãe fazia rendas.

Quando Teresa tinha quatro anos, a mãe morreu. Ela ficou tímida, chorona, cheia de medo. Chorava por qualquer coisa e depois chorava de novo porque tinha chorado.

Numa noite de Natal, quando tinha treze anos, alguma coisa mudou dentro dela. Ela sentiu que Deus lhe dava uma força nova e simplesmente parou de chorar por bobagem. Ela mesma conta isso nos cadernos que escreveu mais tarde.

A partir dali, Teresa tinha uma certeza: queria ser freira no Carmelo de Lisieux, o convento onde duas irmãs dela já viviam. O problema é que ela era muito nova. Quatorze anos.

Teresa pediu ao padre. Pediu ao bispo. E aí viajou até Roma com o pai, numa peregrinação. Quando chegou a vez dela de se ajoelhar diante do Papa, os peregrinos tinham sido proibidos de falar. Teresa falou assim mesmo, com todas as letras: deixa eu entrar no Carmelo. O Papa respondeu que ela entraria se Deus quisesse.

Os guardas tiveram que tirá-la dali. Mas alguns meses depois a resposta chegou, e aos quinze anos Teresa entrou.

E aí veio a parte difícil, que quase ninguém conta.

Dentro do convento não havia aventura nenhuma. O dia era sempre igual: rezar, varrer, lavar, remendar, comer, rezar de novo. Teresa queria fazer coisas enormes por Deus. Queria ser missionária do outro lado do mundo. E era uma moça magra, de saúde frágil, dentro de um convento pequeno, lavando lenço.

Foi aí que Teresa descobriu o que ela mesma chamou de caminho pequeno.

Ela tinha ouvido falar de uma invenção nova: o elevador, que naquele tempo começava a aparecer nas casas de gente rica. E disse: eu sou pequena demais para subir a escada dos santos grandes. Então Deus vai ser o meu elevador. Eu fico pequena, levanto os braços, e Ele me carrega.

O caminho pequeno funciona assim: não é fazer coisas grandes. É fazer coisas pequenas com um amor grande.

É não sair do lavadouro quando a água suja bate no rosto.

É sorrir de propósito para a irmã mais difícil de aturar, justamente para ela, todos os dias.

É levar uma freira muito velha e muito ranzinza até o refeitório todas as tardes, devagar, sem bufar, e cortar o pão dela em pedaços pequenos porque ela já não conseguia.

Ninguém via nada disso. Nenhum jornal escreveu sobre isso. Teresa fazia e não contava.

Quando ela tinha vinte e três anos, chegou a tuberculose. Teresa ficou muito doente e sofreu bastante. Mesmo assim, continuou fazendo o de sempre: coisas pequenas, com amor grande, até o fim.

A superiora pediu que ela escrevesse a história da própria vida. Teresa obedeceu e encheu uns cadernos com letra apertada. Morreu com vinte e quatro anos, no fim de uma tarde de setembro. Disse que ia passar o Céu fazendo o bem aqui na Terra.

Os cadernos viraram um livro. O livro correu o mundo. E hoje a Igreja chama essa moça, que passou a vida adulta inteira dentro de um convento pequeno, de padroeira das missões e de doutora da Igreja, que é o nome dado aos grandes mestres da fé.

A moça que lavava lenço em água fria virou professora do mundo inteiro.

Você não precisa ser grande hoje. Você precisa amar bastante uma coisa pequena.

Guardar o brinquedo sem reclamar. Dividir o último pedaço. Falar bonito com quem está de mau humor.

É por aí que se chega perto de Deus. Pelo caminho pequeno.