Grãozinho
15 Noites com os Santos

História de santo

Santo Antônio de Pádua

O frade que lavava panelas e ninguém sabia que ele sabia pregar.

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A narração desta história está sendo gravada.

Enquanto isso, o texto completo está aqui embaixo para você ler em voz alta.

Virtude de hoje

Simplicidade e coragem

Antônio queria uma coisa e Deus quis outra. A viagem deu errado, a doença atrapalhou, o navio foi parar no lugar errado, e foi ali que a vida dele começou de verdade.

Vale conversar em casa sobre os planos que não deram certo neste ano. Nem todo desvio é castigo. Alguns são endereço.

Para conversar

Se você tivesse que fazer uma coisa difícil na frente de todo mundo, como o irmão Antônio fez, quem você ia querer do seu lado?

Sem resposta certa. A ideia é ouvir o que seu filho pensa.

Oração

Deus, quando meus planos derem errado,
me ajude a olhar em volta com calma.
Santo Antônio, peça por mim
para eu ter coragem de fazer o bem
mesmo quando ninguém está esperando nada de mim. Amém.

Ler o texto da história

Numa cozinha de convento, na Itália, um frade lavava as panelas do almoço.

Ele era baixo, quieto, e quase ninguém ali sabia direito quem ele era. Chamavam de irmão Antônio. Ele varria, ajudava na horta, lavava a louça. Fazia tudo devagar e bem feito, e falava pouco.

Naquele dia havia festa na cidade de Forlì. Frades de vários lugares tinham vindo para uma ordenação. Depois da cerimônia, alguém precisava falar para todo mundo. Só que ninguém tinha se preparado. Um olhava para o outro, e ninguém se levantava.

Então o superior chamou o frade da cozinha e disse para ele falar o que Deus colocasse no coração.

Antônio ficou vermelho. Explicou que só sabia lavar panela. Mas obedeceu.

Começou baixinho. Depois de algumas frases, a sala inteira parou. Ele sabia a Bíblia de cor. Explicava as coisas de um jeito simples, e as pessoas entendiam. Quando terminou, os frades se olharam espantados. Aquele irmão calado guardava um tesouro.

E como ele tinha ido parar na cozinha?

Antônio nasceu em Lisboa, em Portugal, e o nome dele era Fernando. A família tinha dinheiro e a casa ficava pertinho da catedral. Ele estudou muito e virou cônego em Coimbra, numa casa cheia de livros.

Um dia chegaram a Coimbra os corpos de cinco frades franciscanos que tinham sido mortos longe dali, no Marrocos. Fernando viu aquilo e pensou: eu quero viver assim, entregando tudo. Pediu para entrar na ordem de São Francisco e trocou de nome. Passou a se chamar Antônio.

Aí ele fez planos. Ia para o Marrocos pregar. Só que chegou lá e ficou muito doente. Teve que voltar. E, na volta, um temporal empurrou o navio para longe. Ele foi parar na Sicília, na Itália, sem plano nenhum, sem conhecer ninguém.

Foi assim que ele acabou numa cozinha de convento, lavando panela. Todos os planos dele tinham desmanchado. E era exatamente ali que Deus estava esperando.

Depois daquele dia em Forlì, Antônio nunca mais parou. Pregava nas praças, porque não cabia gente dentro das igrejas. Ensinava a Bíblia para os outros frades, e São Francisco escreveu para ele um bilhete curto dizendo que aprovava.

E ele não falava só coisas bonitas. Na cidade de Pádua existia uma lei dura: quem devia dinheiro e não conseguia pagar ia para a cadeia. Antônio foi falar com os governantes e não desistiu até a lei mudar. Dali em diante, uma pessoa pobre não seria mais presa só por causa de uma dívida. Isso está escrito nos documentos da cidade até hoje.

Antônio viveu pouco. Morreu com trinta e cinco anos, num lugar chamado Arcella, perto de Pádua, no dia treze de junho de 1231. Estava tão cansado que precisou ser levado numa carroça.

Quando a notícia correu, as crianças de Pádua saíram pelas ruas dizendo que o santo tinha morrido. Menos de um ano depois, o Papa o declarou santo. Foi uma das vezes mais rápidas da história.

Conta a tradição que um noviço levou embora, sem pedir, o livro de salmos de Antônio, e depois se arrependeu e devolveu. Por causa dessa história, quando alguém perde alguma coisa, costuma pedir ajuda a Santo Antônio. É uma tradição bonita, não é um milagre contado na Bíblia.

No Brasil, junho inteiro tem festa por causa dele. Tem fogueira, tem quadrilha, tem bandeirinha. E em muitas igrejas se reparte o pão de Santo Antônio, para lembrar que quem tem divide.

O começo de tudo foi um frade que ninguém notava, lavando panela numa cozinha, esperando a hora de Deus.

Boa noite.